Poeta Silas Correa Leite

Poeta Silas Correa Leite
Romancista, Ficcionista, Ensaista, Resenhista

Wednesday, November 24, 2010




Línguas Estranhas (Poema)

Deus é o silêncio do universo
E o ser humano o grito que dá sentido
Á esse silêncio.

José Saramago

Minha querida mãe falava línguas estranhas
E chorava
E também levitava no dom da profecia.

Meu pai maestro falava línguas estranhas
E pregava
E ao acordeom tocava enquanto harmonia

Minha irmã Clarice falava línguas estranhas
E cantava
E a tudo amava em perfeita sintonia

Eu, pobre de mim, escrevo poesia
Língua estranha em que se lanha a serventia
E lustro a alma na linguagem e alquimia
Porque sensibilidade
E espiritualidade, é, toda via...

O pai foi tocar acordeom de estrelas para Deus
Em angélicos dobrados
A mãe foi fazer pamonhas de crepúsculos no céu
E de orações tece seus rubros bordados
Clarice viúva ainda sonha um príncipe encantado
Que num volkswagen branco virá montado

Eu, poeta, pobre coitado
Fui de mim mesmo condenado
A escrever poemas para pegar os meus pecados!

-0-

Silas Correa Leite – Santa Itararé das Letras
E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net

Thursday, November 11, 2010




Escreve um Educador, Escritor Premiado


EU SOU UM ALUNO


E comecei a ser ALUNO desde o primeiro dia que saí da barriga de minha mãe, quando abri um berreiro danado, sem certamente sequer saber o que eram vogais & consoantes, numa eventual onomatopéia de pranto assustado, em alto e bom berreiro de récem-nascido. O meu primeiro olhar lambido. O meu primeiro cheiro tenro. O meu primeiro dodói inusitado. Tudo isso, afinal, foram aprendizados primordiais para mim. Confesso agora que já estava nascendo ali o "apreendedor" de tantas sábias ilusões da vida. Também aprendi zelos e ternuras. Luzes e sonhos. Seios e beijos. E desde um toquinho ainda, eu, de alguma maneira inexplicável, já "lia" muito bem. De movimentos a somas. De carinhos a pitos. De calores maternos a gestos gerais. Eu era tão pequenino e viera ao mundo para ser o melhor aluno, o melhor aprendiz dessa vida louca. Depois vieram outras espécies de lições. De todos os tipos. Febres. Tristezazinhas. Abraços apertados. O adorável colo de mãe. A vida era uma enorme lousa sem tamanho. Cenário de família com parentes. Quintais e romances. E eu ali ainda nas primeiras frases mal feitas, tipo "nenê mamá". A primeira coisa que ouvi e entendi, compreendendo, e depois certamente ouviria ainda por milhares de vezes, foi o meu sagrado Nome de Batismo. Era ali o meu documento-vida, a minha identificação-chave. Minha vida era uma história a ser escrita por mim mesmo, aprendendo dia após dia... ao meu jeito, como diz a canção Falei logo. Mamã. Riram alvissareiros. Gostei. Repeti todo posudo e cor-de-rosa. Me beijaram. Adorei. Passaram talquinho em mim. Legal. Depois, acho, falei papá (comida), ou papai. Das duas, uma. Vim aprendendo pela vida. Adoro aprender. Depois vieram os tropeços e tombos. Escuros e sombras. Desencontros. Doeram. Dodói mesmo eu logo aprendi dizer com beicinho mole. Rendia. Remédios. Pitos. Castigos que eram mais gestuais, como sonoros chius esticados. Afetos. Nódoas. Remédios. Correria. Minha mãe com os olhos vermelhos, dando beijinhos doces e molhados em meu machucado calinho marrom. Doeu, Mamãe! Aliás, minha mãe era um livro aberto em milhares de páginas que sorriam doces lições cheias de encantários para mim.
Fui crescendo e aprendendo. Sempre. Cada segundo era uma aula enorme. Cada minuto uma medida-limite. Cada dia um bonito questionário. Cada aprendizado um exercício de estima para multiplicar-me em palavras e afetos. Cada luz ou dor circunstancial, uma fixação no arquivo sensorial da minha memória atiçada. Fui crescendo e aprendendo territórios e mapas em casa. Música, Garnisés, Canteiros, Política. Meu pai tinha programa de rádio, regia corais e bandas, e adorava João Goulart, o Presidente. Fui politizado mesmo antes de ser alfabetizado. E adquiri logo a tal inteligência musical, depois artística, imagética. E ainda pondo senso crítico em tudo. Muito resmungão, diziam minhas irmãs que eram um grude comigo, o chamado bendito fruto. Meu genitor muito sabido, logo ensinou-me algumas vogais, escritas no papelão de caixas de sandálias velhas. Depois consoantes complicadas, em retalhos de compensados de pinhos com nós vermelhos. Em seguida o Pai me ensinou a "ler" as horas certas, num relógio antigo do tamanho de uma panqueca. Custou mais aprendi. Ela quase perdeu a paciência. Mas eu acabei pegando o jeito. Fiz bonito, afinal. Depois o velho me falou sobre as naturais estações do ano. Primavera, verão, outono inverno. Épocas de plantios e colheitas. Luas e mudanças dela. Época boa pra pescar, ou pra podar roseiral. A rua era meu mais belo paraíso predileto. Um céu de aventuras e conquistas. Espaços e descobertas. Amigos e trocas. Na rua aprendi brincar, amar, ser feliz. Amizades e dribles da vaca. Compreendi desde cedo que os diferentes eram iguaizinhos. Descobri-me uma espécie de Robinson Crusóe sem lenço e sem documento. Bolinha de gude, bola de meia, bola de papel. E o baita sol, uma espécie de enorme Sonrisal alto pendurado lá nos repolhos azuis de Deus. Auroras e prelúdios. Sanfonas de ventos e leques de nuvens.
Depois as brincadeiras adoráveis. Pular carniça entre fogueirinhas de papel de pão. Roda cotia. Balança caixão. Serra Serra Serradô. Atirei um pau no gato. Até que um dia – eu era feliz e não sabia – nos tiraram a liberdade e as brincadeiras sadias dela. De sermos crianças inteiras, plenas, vivas, como se páginas puras e em branco aprendendo algarítimos de afetos, somas de companheirismos, escritas cuneiformes de ilusões. Era tempo de irmos para escola. O que seria aquilo? Devia ser um sonho, uma graça, uma belezura. Foi? A primeira professora. Candura de mãe e cheia de charme especial. Um quadro preto chamado de lousa, que na verdade era uma pedra lisa que estava sempre cheia de riscos, orações e desenhos. E toma A E I O U com explicações ensaboadas de sons e montagens de palavras diferentes, caprichadas. Depois frases pueris. "O sapo baba no bule". Será isso? Caminhos suaves. Uma turma diferente. Carteiras com duas pessoas. Eu e meu primeiro amigo bem diferente de mim. Recreio e merenda. Sopa de arroz-quirera de terceira. A parte que mais adorávamos, era o banzé do intervalo, pois ali no pátio-chão brincávamos como nas ruas de nossa infância, de nossa criação caseira que esbarrava cercas e milharais em trepadeiras e janelas. Estudar assim ficava gostoso. Ser aluno tinha seus momentos hilários, outros entocados. O triste mesmo era ficarmos um tempão sentados na madeira dividida, copiar palavras da lousa cheia de novidades, escrever coisas interessantes, saber tabuadas de cor, decorar datas magnas e oficiais. O pior era ser privado das ruas de terra vermelha, das árvores com ninhos e arapongas, dos distantes céus azuis, dos borbulhantes córregos de girinos e sem pinguelas, dos gostosos frutos maduros nos pés carregados, dos mandorovás-camaleões ardidos e abelhas zangadas, mais a piazada em atiço atrás de gabirovas amarelas ou verdes ariticuns silvestres cheios de formigas saúvas. Eu adorava estudar. Também pudera. Em casa mesmo, menos do que Nota Nove em qualquer linguagem era a pedagogia do chinelo no bumbum. O que mais doía era a vergonha de não saber, levar esculacho por medo de zero na nota. Então aprendíamos. Aprendi a gostar de escrever, fazer lições, trabalhos de casa e mesmo a ler bastante, que, no começo, na marra até era aplicado como modelo. Aliás, em casa era uma espécie de castigo (que sossegava o espeloteado guri perguntador e curioso) os verbos ler e estudar. E toma a ler Bíblia, Dicionário, o jornal O Estadão, Seleções, Palavras Cruzadas. Que bem isso me fez, meu Deus. Como eu agradeço a meus pais por esses castigos que me abriram mundos e tiraram véus de ignorâncias. Eu era o guri mais pobre da nossa sagrada Estância Boêmia de Itararé, e, no Grupo Escolar Tomé Teixeira, ali na Rua XV de Novembro, centro velho da cidade, saquei que para ser alguém na vida, só tinha uma saída: estudar muito. Deus me deu essa visão precoce. Eu captei tudo, claro. Ser pobre era meu destino ali. Ser burro era opção minha. E eu podia mudar tudo, como, afinal, mudei mesmo, estudando muito, sendo eterno aprendiz, um estimado aluno, amigo de todos os maravilhosos professores. Estávamos nos idos alvoroçados dos Anos 60. Eu já rascunhava minhas frases completas, meus trocadilhos inocentes, meus poemetos infantis, meus primeiros rascunhos nos álbuns de várias irmãs. Ou nos cadernos das namoradas secretas que eu namorava escondido, mas já escrevia bonito e pomposo pra elas. Eu as namorava e as amava por dois; por elas mesmas, pois elas na verdade não sabiam que namoravam comigo. Eu era muito inocente e puro. E as amava com os olhos pendurando cristais, com as oportunas balinhas de limão, com uma gasosa chamada Crush, com um ocasional poema feito às pressas, com alguma rima e sem ritmo, sem muita filosofia, mas que elas aceitavam encantadas como se dálias íntimas de minha criação especial, no jardim da inocência sensível. Na Escola já declamava textos de outros, depois invenções minhas, e toma eu a brilhar no Dia do Índio, Dia da Pátria, Dia da Árvore. E toma a ler depressinha os contos infantis que mestra passava – à bença, Dona Nancy! – depois historinhas divertidas, ditados grandes, lendas e invencionices gostosas que caíam como melancias em minha vida cheia de esperança por dias melhores com sabedorias inteiras. A formatura foi só um pulo. Um primeiro degrau para o céu. Eu estava a caminho, eu sentia isso. Depois tinha outro turno de estudo. Outro necessário e seguinte ciclo. Meu pai que era rico, ficou pobre, doente, e eu tive então que ir vender picolé de groselha preta na rua. Mas eram ruas distantes, descalças, ou com cacau quebrado (paralelepípedos)s, em cantos estranhos, periféricos. E eu batalhando. Tudo era mesmo aprendizado. Às vezes um tombo de bicicleta, às vezes um troco que eu errava – nunca fui bom com números – às vezes um sol forte e minha febre terçã. Minha mãe já não me acompanhava, a não ser com promessas e orações-mantras alongadas por meus sonhos. Tive que cair na luta e apanhar de relho da pobreza. Fiquei forte com isso. Adquiri cascão para outras batalhas.
Um dia fui trabalhar na Marcenaria Estrela. Novos amigos. Tudo de novo. Um novo lugar. Um novo lar diferente e alegre. Cortei minha infância pela metade. Mas eu sobrevivi. E criei meus personagens. E aprendi a fazer poesia para ter companhia. Meus livros eram meus filmes. Minha imaginação ficou sadia. Minha solidão era preenchida com baladas que eu bolava, com cenas de teatro que eu montava, com sonhos de ser escritor, ser feliz, vencer na vida, ser alguém, dar orgulho pro meu pai, cuidar de minhas seis irmãs bentas, de meu irmão caçula, de minha saradinha sobrinha órfã. Vim aprendendo pela vida. Sempre. Gastei mais com livros, jornais e estudos do que com uma casa que custei a comprar, pois eu sempre quis as posses variadas das culturas e dos conhecimentos. Ajudei amigos e parentes. Amei e fui amado. Apanhei da vida e tornei-me um guerreiro pela própria natureza. Eu, que sempre fui apaixonado por todas as minhas professoras, acabei saindo de trabalho jurídico no escritório e fui estudar para ser professor. Deus me selando num destino de ser árvore para dar flores, sementes e frutos? Hoje vivo disso. Sei o referencial que sou. Sei o amor que tenho pela pedagogia, pela educação em si. Tudo é aprendizado. Meus alunos me adoram. São meus alunos-filhos. Alguns me pedem bênção. Outros pedem socorro. Dar aulas é minha maior rebeldia. Tenho satisfação e orgulho. Sou um Tiofessor que sabe o valor do aprendizado e adora estar nessa busca infinita de evoluir, crescer, aprender a Voar. Afinal, bem ou mal, sou aluno ainda, pois, como disse Guimarães Rosa, "mestre é quem de repente aprende". E, confesso, eu quero morrer em sala de aula, como um aluno bem velhinho e caprichoso, de galocha, chapéu de nuvens e aparelho de surdez. Aprendendo, talvez, fauna marinha, física quântica, hebraico, ou como dirigir asa-delta. Confesso que esse aluno que sou nasceu no dia em que saí da barriga de minha mãe. Abri um berreiro sem conhecer palavras, e, a partir daquele dia, vim sendo um ALUNO no sentido mais mágico, mais pleno da palavra. Sei que, quanto mais estudo, mais leio, mais escrevo, mais penso, cismo, conjeturo, mais pesquiso, ainda mais vou perdendo lastro e ficando leve, doce, meigo, sereno... Uma vida inteira é pouco para um aprendizado total. Tenho consciência disso. Até acho que aprendi a ser aluno em algum lugar do passado distante, e no espaço cósmico futuro vou ainda por muitas vidas e dimensões, sendo isso mesmo que adoro ser cem por cento:
UM ALUNO.






Silas Corrêa Leite
Poeta, educador, jornalista. Pós-graduado em Literatura, Comunicação, Relações Raciais e Inteligência Emocional. Autor de Trilhas & Iluminuras, poemas, Editora Grafite (RS), 1995. Autor dos e-books (livros virtuais) Ele está no meio de nós e o pioneiro, de vanguarda e único no gênero chamado O Rinoceronte de Clarice – onze ficções fantásticas com três finais cada, um feliz, um de tragédia e um politicamente incorreto, (mais de 60 mil downloads), ambos no site www.itarare.com.br/silas.htm
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm

Monday, November 08, 2010





ENTREVISTA COM SILAS CORREA LEITE,


Autor do primeiro livro interativo da rede mundial de computadores, O RINOCERONTE DE CLARICE, recorde de acessos, destaque na mídia como Folha, Estadão, Diário, Revista Época, Correio do Brasil, JBonline, Poetry Magazine (EUA) e também nas Revistas Kalunga, Ao Mestre Com Carinho, Revista da Web, etc. e ainda Rede 21 (Programa Na Berlinda), no Programa Momento Cultural (Rede Band/Márcia Peltier), Metrópolis (TV Cultura), etc. O e-book, agora free no site www.itarare.com.br é pioneiro, de vanguarda e único no gênero, foi tese de mestrado e doutorado (Hipertextualidade – O Livro Depois do Livro/UFAL), junto com Mário Prata e João Ubaldo Ribeiro, e recomendado como leitura obrigatória na matéria Linguagem Virtual, Mestrado de Ciência da Linguagem, Universidade Federal de Santa Catarina. O livro tem contos surrealistas ou de realismo fantástico, todas as ficções com 3 finais, um final feliz, um final de tragédia e um terceiro final politicamente incorreto, com o leitor virtual também podendo escrever o seu próprio final. É considerado o maior e-book de sucesso na rede para um autor pouco conhecido, apesar de ótimo currículo, vários prêmios importantes, e de constar em quase cem antologias literárias de renome, até no exterior, e de colaborar com vários veículos de comunicação e ser tachado pelo site Capitu de o Rei da Web, por escrever em mais de trezentos sites, até internacionais.

01)-Silas, por que você se tornou Poeta?
Resposta: Eu era filho de protestantes, pai descendente de novo cristão judeu-português, e genitora mestiça descendente de negros escravos de Angola com índios, e tinha desde o berço essa visão simplória de que tudo no mundo era perfeito, o equilíbrio divinal da natureza, a terra-mãe dando tudo perfeitamente para o comer, beber, vestir, habitar, viver em paz e confortavelmente, aquela noção pueril, até que um bendito dia faleceu a minha avó Maria dos Prazeres Guimarães. Pois sofri um tremendo baque que refletiu pesado no sensorial, no psico-somático, uma tristice que virou minha cabeça, meu mundo, meu entendimento. Então nem tudo era perfeito, nem Deus! A morte era o câncer da vida, a negação do Criador com a criatura. Pois virei ateu de meia tigela (ou mais ou menos isso – eu tinha lá meus cinco ou seis anos nessa nau frágil chamada havência) – escondendo minha estupefata frustração com Deus. Foi um choque. Era questionamento quirera na base do “se foi para destruir, por que é que fez?”. Tinha um vizinho que colecionava clássicos russos e obras de Érico Veríssimo e outros, daí para uma leitura-fuga por atacado foi um andaime. Tornei-me um “ledor” feroz, obsessivo, inveterado (calava fundo ali o meu lado “sentidor” – só para citar Clarice Lispector minha amada musa eternal), e, quando vi, já escrevinhava alhures (no primário ainda, no Grupo escolar Tomé Teixeira, em Itararé, e nos tais Dia do Índio, Dia da Pátria, Dia da Árvore, Dia da Bandeira, lia meus textos ufanistas, que a professora Nancy Penna corrigia, depois, mais pra frente, a Professora Jocelina Stachoviack de Oliveira estimulava, dava força, apostava na minha abstração que ela classificou como fora de série. Família rica quando eu nasci, e pobre quando eu, o primeiro varão da família entrava a estudar (já meio alfabetizado e outras conhecenças mais), saquei que, até poderia ser pobre, mas burro nunca, como o pior analfabeto que, sabendo ler não lê. Seria dose dupla. Saquei que a Escola Pública era o único degrau para o alto, apaixonei-me pela leitura de tudo, e, principalmente, pelas minhas professoras todas. Começara ali a ler não só palavras mas símbolos, gestos, momentos, olhares, acontecências, estimas, resultantes.) Era o bendito fruto de seis irmãs antes de mim (eu era para ter nascido bruxo, mas nasci poeta?), e, mesmo piá de tudo, lia de fotonovelas melosas a gibis, revistas como Intervalo, Seleções, Almanaques, jornais. Meu daí dava-me de castigo, ler aqueles artigões dizendo da briga do Lacerda, Brizola, Jango. Fui politizado antes de ser inteiramente alfabetizado. Aliás, até hoje acredito num socialismo de resultados. Pois, com a soma disso tudo, num crescendo, lendo, “fugindo” nas aventuras, histórias e pencas de conhecenças (ilhando-me de certa forma – chamo meus poemas de Poesilhas), gostei, peguei prumo, assuntei-me. Meu pai, quando eu era mais quase jovem, tinha programa de rádio, ensaiava corais e bandas, compunha músicas sacras, era um belo contador de causos. Eu mesmo, com apenas16 anos, já escrevia para um suplemento jovem que o jornal O Guarani trazia encartado, fazia imitações e paródias nos shows da Jovem Guarda, além de ter sido aprovado em segundo lugar num concurso de Locutores da Rádio Cube de Itararé. Corria o ano de 1968. Por uma série de polimentos afins, tornei-me logo o “poetinha” local, em terra de boa imprensa, boa pedagogia, bons pintores, belíssimo geo-físico histórico de cavernas e cachoeiras. Não sei se me tornei ou fui feito, a vida tornou-me, encalhei-me numa sofrência ou coisa assim. Até hoje gosto mais de “ler-escrever” do que de respirar, existir. Poesia canga, ninhais? Despojo. Procurar pegadas íntimas na mandala das palavras. Verter-se. Em um país de contrastes sociais, com muito ouro e pouco pão, faz escuro mas eu canto. Poeta nasce feito? Poeta desabandona-se num não-lugar e alumbra-se, criando o inexistente, feito um desespelho de sub-ser. Hoje perdi-me de mim. Crio feito uma catarse, um onirismo que um refluxo de inconsciência mal-e-mal preconiza a partir de algum certo arquivo genético-sensorial recorrente.
02)-Silas, num poema chamado Muçulmanos, em sua home page (site http://www.itarare.com.br – link Poetinha Silas), você diz “E essas orações em peso invocadas para Meca/É o que os tornam Altares – Todos os Muçulmanos...” Todos os caminhos levam a Deus?
Resposta: Acho que todos os caminhos levam a Deus, de uma forma ou de outra, por linhas tortas ou estradas de tijolos amarelos. Mesmo que seja o “deus” de cada um, segundo a imediata visão, estado de necessidade, grau de merecimento ou estágio de Busca. Todos serão perdoados, de uma forma ou de outra, em mais ou menos dobra de espaço-tempo. Todos serão salvos. Há muitas moradas na casa do Pai, o “Que-Fez”, segundo Haroldo de Campos. Com esse nome ou outro, feitio litúrgico, de compota ou estojo terreal, mas sendo infinito e grandioso, seu perdão é idem. Não nos criou santos, sabia-nos finitos e miseráveis. Se não houvesse o perdão do Criador à criatura ente, então tudo seria mesmo uma mera aventura sideral num teatro-havência como aludiu Shakespeere.
03)-Silas, “O amor é silencioso como um ácaro”, como você canta num verso?
Resposta: O amor platônico, íntimo e clandestino, antes de tirar o véu, a bruma (paixão & loucura), despertence-se, é como um ácaro, um esporo, um átomo procurando o tomo par, feito um silêncio quase prece, correndo o risco de, no devir, tornar-se até poeticamente falando, um Porta-lapsos. Mas, paradoxalmente, também pode ser um eco no abismo, um grude de circunstância, uma polenta que desandou. Pior: quando grita no depositário de luz da cena de origem, tem loucuras que a própria lucidez desconhece. Porque o amor é faca de dois lumes. Caibro e caixilho.
04)-Silas, como você encara a Poesia atual?
Resposta: A Poesia atual, brasileirinha ou brasileiríssima, está meio que “emepebelizada”, meio para “liric” (letra de música em feitio de verso prosaico), do que propriamente poesia pura. Mas, também, o que é mesmo Poesia, nesses tenebrosos tempos pós-qualquer coisa? O que é a exata pureza do fazer poético, na gamela radical de tantos enfoques e tecnologias? Adoro Wally Salomão, Arnaldo Antunes, João Scortecci, Ademir Antonio Bacca, Luiz Antonio Solda, Soares Feitosa, Alice Ruiz, Paulo Leminski e Antonio Cícero, entre outros, mas sou macaco de auditório de Fernando Pessoa, o melhor poeta do mundo em todos os tempos, Drumond, Jorge de Lima, Carlos Nejar, Manoel de Barros, Bandeira, Castro Alves, João Cabral de Melo Neto e Hilda Hist, que considerado a melhor poeta mulher do Brasil em 500 anos. Há muitos poetas bons no Brasil, mesmo fora da chamada grande mídia, alguns até descobertos por Antologias que, nem sempre completas, ainda assim fazem-nos esse favor de descobrir um e outro inédito e anônimo, o que já vale o livro, a junção, o espaço aberto e saudável da veiculaçao. É claro que temos os poetas de ocasião, de panelas, de trupe da imprensa, de clubes e esquinas. Eu que mal sou de mim sozinho (e um poeta não precisa de solidão para ser sozinho), não estou em antologia nenhuma, se bem que devo sair na próxima Revista Poesia Sempre, por obra e graça do Ivan Junqueira, e, lendo tudo e todos, aprendo até como ser e como não ser. Afinal, nasci analfabeto, vivo estudando e vou morrer aprendiz. E depois, a fama é reles, não é mesmo?
4.l)-Silas, a Poesia virou coisa de Professor?
Resposta: Pois é, a Poesia é mais rebento de professor, jornalista, profissional liberal, louco, autista, viciado, suicida, bacharel, artista, do que do povão mesmo que mal tem um tostão pro leite e mel, sequer brioches. Eu, em cada sala de aula, torno um aluno especial, num amante da boa MPB, da leitura, da poesia, mostro um Bob Dylan, um José Nêumanne Pinto, sapeco aqui uma Sylvia Plath, depois um Chico Buarque ou Gilberto Gil, volto a reinar com um haikai, uns versos brancos, e assim, tento, solitário como um lírio, tecer o amanhã, limando mais um ser sensível em terra de primatas. Pelo menos primatas para mim que era um rapaz que amava Os Beatles e Tonico & Tinoco, e hoje sobrevive num mundeco de um estúpido consumismo bobo, rococó, onde uma globalização neoliberal também de forma nefasta globaliza a violência em todos os níveis, a ignorância coletiva de quem pensa que pensa ou acha que é o que não é, produzindo burrezas por atacado.
05)-Silas, qual a ligação que você tem com o Guimarães Rosa?
Resposta: O Rosa eu só fui ler (e adorar) de pleno íntimo aceite, já na casa dos 20 anos. Ele, junto com o Machado de Assis, se fossem europeus seriam "Nóbeis". Tenho umas pinceladas do Guimarães Rosa, mas não o sou totalmente, claro. Entro mais num parafuso do realismo fantástico, surrealismo, com poesia nos textos, regionalizando pro sul-caipira. Meus amigos dizem que eu sou mais um “Silas Lispector”. Acho que é um liqüidificador de tudo que bate e volta, numa mistura saudável.
06)-Silas, qual é o lugar para a prosa na sua escritura?
Resposta: Eu sou só um metido a poeta rueiro e descalço, que acabou se embarulhando na prosa e ficção-angústia... Como descobri, por intermédio de editoras pouco confiáveis do ponto de vista cultural mesmo (por incrível que isso possa parecer) que não adiantava escrever Poesia, que não há mercado, espaço, que “poesia não vende”, para sair do limbo resolvi escrever contos, mas não os comuns, quis ousar, sair do sério, dar com os fulcros n’água. Aliás, poesia não deveria de se vender, mas ser dada de lambuja, de troco, como moeda de ocasião feito pertencimento de maria-mole-queimada, caixa de fósforo, bala paulistinha, picolé de groselha preta, pirulito de limão. Entrei pro Grupo/Movimento Infâmia Literária (do Nelson Oliveira – Prêmio Casa de las Américas/Cuba – Romance Subsolo Infinito/Companhia das Letras) e, com experiência básica de crônicas e jornalismo (inclusive Oficina de Jornalismo na ECA/USP e elogios de Ricardo Ramos em curso de Redação na ESPM), passei a ganhar mais prêmios como contista, do que como poeta. Daí pra cá, vim formatando livros, romances, coletâneas de microcontos, trabalhos infanto-juvenis, poemas temáticos, poesia para a juventude carapintada (prática educacional vivenciada) e outros mais, um monte. Coisa assustadora, talvez digna de um Guiness Book, Curta-Metragem, Documentário ou Globo Repórter. Agora mesmo, estou com um romance vivencial na Geração Editorial, de um cara cabeça que é o Luis Fernando Emediato, e um outro com a Editora Gente. Muitos outros foram “recusados” (mal avaliados?) por grandes editoras do eixo RJ-SP. Também, por quase dois anos, estou com um livro de contos (muitos premiados) em poder do Bernardo Adzenberg (Diretor de Conteúdo da Folha Online) para ser prefaciado, e também um de poemas em poder do Poeta José Nêumanne Pinto para ao mesmo fim. Estou aguardando, vivenciando a expectativa de um bom retorno nesse propósito. Esse ano já fui premiado num Concurso de Poesia do Sesc/Rotary de Cornélio Procópio, Paraná, (poema criticando os Outros 500 do “Achamento” do Brasil), e também no Concurso Ignácio Loyola Brandão de Contos, de Araraquara. Já pensei ate em traduzir e tentar editar no exterior. Será que tenho que ser mais um a morrer inédito, deixando meu acervo para alguém do Depto. De Letras da USP, no futuro, escrever uma tese sobre minha luta inglória? Ai de mim!
06)-Silas, a Poesia deve ser engajada?
Resposta: Toda Poesia tem – o homem é um animal político, dizia Sócrates – o seu lado de engajamento tácito ou não. Poesia neutra ou chinfrim como texto alheio à realidade (e tongo, saranga) do Cony, não significa nada, não tem nada a ler. Não cria gume, não ela, não tem visão plural-comunitária. Eu, como Manoel Bandeira – Saravá Celso Furtado! – só acredito em arte que seja libertação. Não separo o Poeta do Ser Cidadão. Melhor uma poesia engajada e temática nesse fito precípuo de ser social, humana, do que uma poesia xerox, trivial ou matemática como pelotão de isolamento. Poesia mostra o avesso do haver-se, descasca a cebola do indizível, traduz o sagrado-profano com questionário íntimo novo, mexe as candeias e sacode o bolor do tédio com vinagre. Gosto da Poesia que arranca o leitor (também receptor afinado de vislumbre) do lugar comum, e toca fogo na canjica desse país de jecas janotas e boçais (têm um pé na cozinha do ego doentio); cheirando a azedos de estadias-fugas em esgotos góticos de Miami. Habemus Poesia? Tô social. Logo, eila pisando na tábua de carne dessa terceirizada insensibilidade que maquia um tal ISO 2001: a sub-sobrevivência instintal
07)-Silas, todo bom poeta é engajado?
Resposta: Todo bom poeta é bom poeta e ponto!. O resto é colcha de retalhos de mosaicos de percursos, sais, estadias e viagens interiores com cadarços de palavras. Para um potencial de Sebastião Salgado, quanta água com açúcar deu flash por debaixo de pontes e arquiteturas frias, superfaturadas? Temos um holocausto nas ruas do mundo – pior que uma guerra mundial, um nazismo – e ainda falam na montada queda do Muro de Berlim, com tantas outras “fronteiras” e muros no capitalismo-câncer financiando o leviano engodo neoliberalismo açodado pelo lucro nojo, lucro fóssil de mais riquezas injustas (e impunes) na ciranda financeira de agiotas internacionais. Velhos, crianças, sem teto, sem terra, sem pátria, sem emprego, sem Amor, excluídos sociais entregues à própria sorte – ninguém quer ver isso? – enquanto o futuro do Brasil ao FMI pertence, com FHC (ex-sociólogo, ex-comunista, ex-ateu) promovendo privatizações-roubos sem auditorias de incompetências herdadas no trato com a coisa pública (um estado público na verdade privado pelo tucanato amoral e decadente) ainda dizendo que o Plano Real deu certo. Pra quem? Para quê? Trocamos nosso suado dinheirinho pau a pau pelo dólar, e hoje quanto vale? Quem vai pagar por isso? Quem é o ladrão, o chefe da quadrilha internacional? Dão milhões para banqueiros ladrões, milhões para universidades privadas incompetentes, e chamamos isso de modernismo? Que golpe é o PAS, um funesto “Programa de Assalto à Saúde”?. Que empulhação é a tal Reforma de Ensino que não reforma nada, fecha unidades escolares, paga menos a um educador do que a um motorista de ônibus, dando verniz novo a quadrilhas velhas? As máfias governam os governos. Todo Ser Humano, Ser Cidadão, até por uma questão de foro íntimo de sobrevivência ética, emocional, de resistência, tem que ser mesmo engajado. O importante, afinal, não é que a emoção sobreviva?
07)-Como é ser um “plantador de sonhos” como você diz?
Resposta: Plantar sonhos é não passar em brancas nuvens nesse miserê cultural. Se eu deixar de escrever agora, a insensibilidade vence. Tenho que morrer lutando, para que demonstre que, pelo menos a minha sensibilidade Venceu. Plantar sonhos é preencher com humanismo a minha quantia diária no cheque em branco de cada dia de vida, sendo verdadeiramente Ser e verdadeiramente Humano, nesse pais que há grande celeiro de babaquaras, e onde os imbecis estão no poder, por isso os inteligentes têm que se unir, no amor e na dor. Plantar sonhos é ser meio Rimbaud pós-moderno, meio Lord Byron, meio Neruda, meio Tolstói, meio Plinio Marcos e Nelson Rodrigues. Plantar sonhos é tentar arar consciências, deixar a semente-arte (a melhor pedagogia é o exemplo), como uma mensagem-página de não aceitação, de crítica ao comodismo, para o futuro. Se houver futuro no futuro, já que a cada século piora a qualidade do ser enquanto espécie.
07.l)-Silas, mas o sonho não acabou?
Resposta: O sonho acabou. Mas o artista sonha um sonho novo a cada dia. Na sua utopia visionária única, pincela, orna, conduz, não é conduzido. O Capitalismo é tão podre e vil como o Comunismo imposto de cima para baixo, pela força. O Marxismo acabou? Nunca se estudou tanto Karl Marx do que hoje em dia nas universidades americanas. O sonho acabou para o cara pálida que se matou, anulando-se, se massificando nessa correnteza de amebas ao estilo quase grife de: “acompanhe a maioria/Ande sozinho.” Todo artista revisa o sonho anterior, cria outros, produz, refaz. E depois, o que é o sonho de cada um por si? Status, posses, poder. (O status de sítio de uma grife com refil.) E o sonho de todos por todos? Esse não vai acabar nunca. A verdade, como a tal terra prometida é, como já cantou Renato Russo, também pode ser amar as pessoas como se não houvesse amanhã...
08)-Silas, qual é o lugar que a música ocupa ocupa em sua vida?
Resposta: Sou filho de músico, consigo compor com uma facilidade incrível, inacreditável. Faço baladas, blues, assim sem mais nem menos. Você sugere um tema e eu canto incontinente. Você vem com a música pronta e eu de presto encorpo a letra. Meus poemas são como mantras-banzos-haikais-salmos-blues. Certa feita peguei um poema do Drumond e fui cantando em cima, com a música casando direitinho. De outra feita, abri um livro do Garcia Lorca e cantei o poema (de uma mulher colhendo azeitonas) que parecia moda da Mercedes Sosa. Tenho umas letras com o Barão Vermelho, fiz até uma espécie de “Hino do Frejat”, uma letra com o grupo de rock Detonautas do Rio de Janeiro, fiz o Hino ao Itarareense, estou fazendo o hino de minha escola atual, já fiz um outro Mantra em parceria com um aluno de Ética e Cidadania de uma escola de Vinhedo (Instituto Sant’Anna). Quem quiser trabalho meu, é só me contatar no e-mail poesilas@terra.com.br -
09)-Você tem algum “mote” de trabalho?
Resposta: Vários: silêncio, tristeza, solidão, justiça, humanismo, morte – Acho que a Morte é a minha musa. A morte é o centro do universo? É morrendo que se nasce para a vida eterna? Eu faço versos como quem morre, disse Manuel Bandeira. Tudo é Caos. Tudo é “danação” de pedra. A consciência é o registro de vida nesse plano? No começo era só o abismal, até que um Poeta (o primeiro?) deve ter nominado as coisas, e deu nome ao começo, meio e fim. Mas, e quando a Morte matar a morte?
10)-Silas, qual o papel do escritor na sociedade?.
Resposta: O papel do escritor na sociedade é não ter papel nenhum. Milton Santos (esse daria um bom presidente) não quer ser político. Quer ser ele mesmo digno, transparente. Betinho só queria dar seu testemunho de vida, sem ter papel de rosto algum. Desconfio muito de quem quer papel disso e daquilo, só para enfeitar o pavão da mesmice capenga. O papel do escritor é, apesar de tudo, continuar escrevendo, registrando, denunciando, colocando o dedo em feridas históricas de um país de hipócritas e antros de exclusões. Os melhores Escritores do mundo, eram, e apenas eram circunstancialmente, diplomatas, professores, peregrinos, jornalistas, compositores, profissionais liberais, funcionários públicos, vagabundos, amantes, boêmios, mal resolvidos, mas, principalmente eram independentes para errarem e acertarem (com isenção) prosas e versos. No link Poetinha Silas do site http://www.itarare.com.br – consta uma breve bibliografia minha até 1998, mas eu não falo muito de cursos, vida profissional. As crianças e os jovens são minha plantação de sonhos, canteiros, a minha mensagem de amor para o futuro. E fazer poesia a qualquer momento, por qualquer toleima ou mixórdia de achar-me nulo ou atado, é a minha forma de pedir paz, pedir justiça. Afinal, a Esperança é a inteligência da vida. Como não há sensações no esquecimento, escrevo, lavro, vou amealhando matizes e iluminuras de meu próprio percurso-vida. E que Deus tenha piedade de nossa miserabilidade, onde a própria poesia tende a ser um mero Eco no Abismo. “Ser Poeta é a minha maneira/De chorar escondido/Nessa existência estrangeira/Que me tenho havido”
11)-Silas, para encerrar, o que você gostaria de dizer?.
Resposta: A literatura atual, como todo o mundo, está numa época de “travessia”, de entressafra. Eu mesmo, de uma hora para outra, virei escritor virtual, porque tive uma ótima idéia (e um ótimo livro, segundo críticos, intelectuais, jornalistas, escritores) foi recusado como “Literatura em 3 Dimensões” pela Companhia das Letras, e acabou sendo descoberto e virando e-book de sucesso, estando no link Interativos do site http://www.hotbook.com.br, onde uma coletânea chamada O Rinoceronte de Clarice tem 11 contos com 3 finais cada, um feliz, um de tragédia e um de surrealismo ou politicamente incorreto, permitindo ao leitor internauta copiar grátis pro seu pc, votar no melhor final do conto, bem como – e esse é o lado interativo que o projeto pioneiro propõe – pode escrever um final todo seu, e encaminhar pro provedor. Ao final do ano deve ser escolhido o melhor final do leitor para cada ficção, e anexado ao livro que, certamente, cedo ou tarde será impresso, desde que um gerente editorial tenha um instante-fragmento de insight e enxergue longe, enxergue melhor minha obra como um todo. Foi escrito em 1968, e ainda hoje é pioneiro e único do gênero na rede mundial da Internet, a partir de pesquisa feita em Nova York. Ganhei vários prêmios, até na USP e na Universidade do Oeste do Paraná (Concurso Paulo Leminski de Contos), fui elogiado, entre outros por Jamil Snege, Elio Gaspari, Ricardo Ramos e Revista Aldéa da Espanha, estou em Antologia Multilíngue de Poetas Contemporâneos da Itália (entre outros países), e permaneço inédito em livro próprio no Brasil. Acredite, se quiser. Imagine se eu fosse amigo de algum dono de editora com alguma sensibilidade, visão cultural e noção de literatura, e não um mero apreciador do tilintar de uma caixa registradora?. De qualquer maneira, agradeço a gentileza desse precioso espaço precioso, a força, a visão, a leitura dos meus textos estranhos e loucos, esperando que um dia eu possa, feliz e desmamado do ineditismo, anunciar um coquetel para lançamento de um livro de contos, um romance, uma novela. Do CAOX nasce a luz? Tudo é possível. Torço por isso. Milagres acontecem... Obrigado e até a próxima.

Silas Corrêa Leite – poesilas@terra.com.br

(Rodrigo de Souza Leão) - Transcrito

Friday, November 05, 2010


Coral REMIDOS DO SENHOR

Igreja Assembléia de Deus, Itararé, Anos 50

À frente, MAESTRO ANTENOR CORERA LEITE

Hoje nome de rua em Itararé


Thursday, November 04, 2010

Sunday, September 12, 2010




Compota de Pera na Casa da Dona Eunice Tatit




-Ai que saudades que eu tenho
Do tempo em que ia à casa da Dona Eunice de Brito Tatit
Comer compota de pêra com doce de leite caseiro
Ouvir causos maviosos do João Tatit
Em uma Itararé dos tempos do Nehir Carneiro Prefeito!



-João Contieri ainda era vivo
Eu estava solteiro caindo na gandaia em Sampa e em Itararé
Visitava Dona Eunice Tatit que escrevia um livro
E havia contenteza naquela casa
E a compota de pêra era o meu mais delicioso deguste...



-Ai que saudades que eu tenho
De uma Itararé de antigamente quando eu era bem jovem
Eu ainda amava os Beatles e Tonico e Tinoco
E ia passear na casa da Dona Eunice
Entre uma compota de pera e a conversa fiada gostosa!



-O tempo passou, perdemos amigos
Itararé às vezes é uma foto antiga na parede da lembrança
Sou um embaixador de Itararé a cantá-la
Mas há uma compota de pera na luz
Em que escrevo a calda do tempo em doces memórias...


-0-



Silas Correa Leite, Poetinha
Santa Itararé das Letras, Cidade Poema, Bonita pela Própria Natureza
Site:
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E-mail: poesilas@terra.com.br


Thursday, August 19, 2010





Teleco Sete Cordas

Para Teleco, Manoel Alonso Júnior
Boêmio Inesquecível de Santa Itararé das Artes

Poema-Homenagem, In Memoriam

Lá vem o Teleco com o seu violão
Dedilhando um belo samba-canção
Ao lado do Fernando Milcores
Harmoniza o ar com sua sinfonia

Teleco Sete Cordas foi parceiro do meu Pai Antenor
No conjunto regional da Igreja Cruzada
Também esteve solando o nosso chão de estrelas na boemia
De Santa Itararé das Artes toda emperiquitada

Teleco era tranqüilo, sereno, um grande amigo
Trazia uma serena candura consigo
Enquanto varava as noites Itarareenses
Nos bares o violão e a turma, a parceria
Com essa gente seresteira que queria
Passar o tempo; a fauna notívaga de Itararé

Lá vem o Teleco Sete Cordas
Com seu violão companheiro
Com seu jeito todo lueiro
Pontuando momentos e canções
Em bares cheios de gente alumbrada
Lá vai o Teleco dormir que é madrugada
A lua na noite de Itararé desfila alada
E ele vai recarregar a bateria
Para o forfé de um novo dia...

Um dia o Teleco parou com o seu violão
Foi tocar Chão de Estrelas pra Deus
E nos deixou com uma baita saudade até
Mas quando o vento de noite pinta o caneco
A gente acha que é o saudoso boêmioTeleco
Visitando o palco iluminado de Itararé

-0-

Poetinha Silas Correa Leite – Santa Itararé das Letras
Anos 100 da Escola Tomé Teixeira Em Comemoração
Entra Aluno, Sai Cidadão
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Friday, August 13, 2010


Poema Homenagem

Tomé Teixeira Florido

Meu Sagrado Tomé Teixeira
Meu amor de coração florido
Em tuas carteiras e lousas aprendi a ler e escrever
No Caminho Suave da Mestra Jocelina

As primeiras janelas e portas me foram abertas
As básicas lições para a jornada da vida aprendi
No Grupo Escolar Tomé Teixeira
A professora que escreveu o poeta
foi um anjo para o guri

Eu era aluno pobre, da Caixa Escolar, tez chão
Caneta tinteiro e mata-borrão
Vogais, consoantes, aritmética e a sopa de macarrão
E ainda havia a lenda do fantasma do porão

Sagrado Coração do Tomé Teixeira
Entra aluno, Sai Cidadão
Na minha alma florida o Tomé Teixeira ainda recria
A primeira infância em que eu era feliz e não sabia

A tabuada, a leitura, as aulas de desenho, os dias festivos
Em que eu declamava poemas às datas magnas em louvação
Roupinha cerzida, chinelos de dedos gastos de um lado
Meu historial de vida ali sendo construído, sendo preparado

O piá que meu era; o piá que agora eu sou
Foi na Escola Tomé Teixeira que se fundou
O que eu vou escrevendo pela vida a fora nessa minha
balada passarinheira
É em homenagem ao ninhal que me foi o Tomé Teixeira

Um poeta quando nasce
Se esparrama pelo chão
Minha estrada ainda dá-se
Na cartinha dessa educação
..............................................

Bendito Seja o Tomé Teixeira Centenário
E a querida Mestra Jocelina também

Sagrado Coração do meu encantário

Serei seu aluno para sempre, amém!

-0-

Silas Correa Leite – Santa Itararé das Letras
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Saturday, August 07, 2010






Receita de Pai

Para a memória de meu Pai Antenor Correa Leite
E de meu Sogro Roberto de Passos Silva

Às vezes arteiro... Às vezes filósofo
Às vezes severo... Às vezes anjo
Às vezes sanção... Às vezes brincalhão
Às vezes quadrado... Às vezes artista
Às vezes saudoso... Às vezes futurista
Às vezes profeta... Às vezes guerrilheiro
Às vezes sonhador... Às vezes implicante
Às vezes músico... Às vezes pessimista
Às vezes amargo... Às vezes manteiga-derretida
Às vezes cobrador... Às vezes carinhoso
Às vezes pateta... Às vezes casamata
Às vezes poeta... Às vezes exigente
Às vezes pacificador... Às vezes errado
Às vezes roqueiro... Às vezes romântico
Às vezes solidário... Às vezes solitário
Às vezes ombro amigo... Às vezes emperrado
Às vezes palco... Às vezes janela
Às vezes referencial... Às vezes amargurado
Às vezes anjo da guarda... Às vezes hidrante
Às vezes perfeito... Às vezes inseguro

Como uma criança como um menino

Exatamente como um FILHO

-0-

Silas Correa Leite
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Bate Papo com Silas Corrêa Leite

silasentrevista.asx




Hino ao Itarareense

Composição: Silas Correa Leite (Hino Oficial)

LetraMúsica: Vanderlei Garcia do Nascimento
1
Se a batalha te chama na história
Voltarás com verve e augusto
Pra ser forte no amor e na glória
Defender Itararé a todo custo
Levas sempre no peito o encanto
De uma Terra de infinita Sé
Dessa aldeia que adoras tanto
Santuário chamado Itararé
(Refrão)
Se a honra de Ser te pertence (
Deste chão és ternura e fé (
Pra viver sempre Itarareense (
E morrer por Itararé! (bis)
2
Sentinela que guarda a fronteira
Um celeiro de pinha e maná
Da legalidade és trincheira
Às barrancas do Paraná
Se te fundas Boêmio que vence
Desde os bosques, planícies até
Te engalanas tão Itarareense
Feito nau ao luar de Itararé
3
Se o Brasil ergue a clava forte
Pra ornar a Carta-Constituição
Lutarás com ardor até a morte
Para valorizar teu rincão
Esse Itarareense-Andorinha
Encantada, do rio verde ao tembé
Sobre a Coronel Jordão se aninha
Chão de Estrelas de Itararé
-0-
Poetinha Silas Correa Leite, do Clã “Fanáticos Por Itararé”
E-mail:
poesilas@terra.com.br
Ver Blogue:
www.artistasdeitarare.zip.net

Estância Boêmia de Itararé, histórica Cidade-Poema, Bonita Pela Própria Natureza, Chão de Estrelas, de Artistas de Talento como:
Aristeu Adão Duarte (Professor, Acadêmico, Cantor Premiado (Mapa Cultural Paulista) Armando Merege (Pintor) Carlos Casagrande (Ator da Rede Globo), Dorothy Janson Moretti (Poeta Premiada), Ed Primo (Pintor que foi destaque na Revista Veja-SP), Edson Marques (Escritor, Prêmio Miguel de Cervantes, Espanha, foi ao Provocações (TV Cultura) do Antonio Abujamra), Gerson Damasceno Gorsky (Doutorado em Música no Exterior), Gustavo Janson (Fotógrafo), Ismael Vaz Cordeiro (Humorista, Palhaço, Radialista), Jannis Vidal (Pintor, Historiador autodidata), Jorge Chuéri (Artista Plástico Premiado, inclusive no exterior e no Banco Real/Talentos da Maioridade), José Maria Silva (Contador de Causos Premiado no Elos Clube/Comunidade Lusíada Internacional, foi ao Programa do Jô Soares/Rede Globo), Lázara Aparecida Fogaça Bandoni (Escritora e Historiadora Premiada), Luiz Antonio Solda (Humorista, Cartunista, Publicitário e Poeta, vários Prêmios), Maestro Gaya (Músico e Arranjador Premiado/Festivais da Record. Descobriu, burilou e produziu (entre outros) Chico Buarque de Hollanda), Maria Aparecida Coquemala (Acadêmica e Escritora Premida, inclusive na Itália), Marina Solda (Pintora), Paulo Rolim (Escritor, Cientista, Ufólogo, Visionário Mediúnico), Paulino Rolim de Moura, Jornalista, Primeiro Ecologista do Brasil, sofreu vários processos, Regina Tatit (Cantora), Rogéria Holtz (Cantora e Compositora), Sebastião Pereira Costa (Escritor), Sérgio Carriel de Lara, Ator, Teatrólogo e Diretor Premiado de Teatro (Mapa Cultural Paulista), Silas Correa Leite (Poeta, Ficcionista e ensaísta, Prêmio Lígia Fagundes Telles Para Professor Escritor; Premiado no Mapa Cultural Paulista (representando Itararé) e também em Portugal, Prêmio Simetria Microcontos/Ficções Fantásticas, acadêmico (FAPESP-USP) foi entrevistado no Programa Momento Cultural, Márcia Peltier, Rede Bandeirantes, e no Programa Metrópolis, TV Cultura, colabora em mais de duzentos sites, Terezinha Iluminada de Mello (Escritora Premiada, Historiadora Premiada), Zunir Pereira de Andrade Filho, Escritor, Pintor.
Frases Sobre Itararé:
-Itararé, Nosso Amor Já Tem cem Anos (Zunir)
-Morro pelo Brasil, Mato por Itararé (Solda)
-Ita(ar)(ar)é (Poetinha Silas)
-Itararé, se colocar grade verde é cadeia, se colocar lona azul é circo, se colocar cortininha cor de carne é zona (Biriteiro e Dono do Bar Fecha-Nunca, Miro Vaca)

(OBS: Ajude a divulgar Itararé. Se você souber de algum outro louco criador ou artista de Itararé de talento, contate a promotora do Blogue “Artistas de Itararé” pelo e-mail:
artistasdeitarare@bol.com.br)

Sempre Haverá Itararé



A Fala do Itarareense (Itararé-ês - de Itararé-SP)Pequeno Apontamento Para Rascunho de Micro-ensaioA Linguagem do “Itararé-ês” – Confeitos de Comunicabilidades

-Itararé é um belo e bucólico município de divisa de estado. Por isso mesmo é de um cênico mirabolante, um circo de sítios descomunais, um portentoso chão de estrelas, verdadeiro palco iluminado por excelência de andorinhas sem breque (quem nasce em Itararé é “Andorinha”). E tem uma espécie de dialeto único, todo próprio da cidade bonita pela própria natureza, entre o São Paulo do sudoeste e o estado sulino do Paraná. Mistura nesse “Itararé-ês” de falações, resquícios do gauchês largado (passagens de tropas, revoluções, inclusões logísticas), o cor-de-rosa polaco catarinense que se canta no falar como se salmasse a palavra, o paranaense que mingua caipirices de um brasileuropeu, alguns fragmentos letrais (que multiplicadores se tornam rueiros) de italianos detravessados (imigrações), entre ciganos, húngaros, alemães, suecos, turcos e outros juncos viajosos de tantas diásporas extracontinentais. Por isso Itararé tem um variado elenco de repertório composto de diálogos errantes, falações de variantes etnografias, em falácias loquazes de dialéticas exuberantes, mais os chamados ditos populares, os tantos cantares poéticos; contações quase que líricas e até expiações letrais risantes. Itararé de divisa (e por isso mesmo também), tem lastro crítico-criativo, entre coivaras de ramos lingüísticos e sapés de linguagens com prosopopéias do chamado “contar palha” mesmo. Além de muitos causos e contentezas de variadas pernas e sulfixos, muito das barulhanças do chamado “ouvir-dizer”. Exemplos como forfé, guaiú, tardiscando, faiaca, de-vereda, conheceu papudo, pelames, ir de bubuia, saltei de fininho. Já pensou? Passei a vida inteira catando as linguagens pegajentas e popularescas de Itararé, com minha bateia de granizos. Um mosaico letral ridente. Acho que o itarareense tem linguagem carregada como quiabo na pedra... A bem dizer, escorregadia como água, diz-que-diz-que; bem prosaica no dia-a-dia, pitoresca e barulhada, quase fala-cantoria, louvação. E também nesse proseio próprio de divisa geocultural (?), separa os confeitos das falas na língua, como se um macadame de conversar em variadas raízes exóticas abrasileiradas, entre moendas e engenhos, feito linguagem líquida. Antes de esmerilhar o sujeito, sapecar o predicado e retumbar o verbo, invertendo com galanteio um e outro, pega a palavra para o varejo. Conhece do oficio. Que serpenteia nas passagens do dizer-se. Aliás, falando sério, o Itarareense é muito bom de bico. Conta papo afiado como garbo, saracoteia diálogos, re-oxigena serelepe as entoações ardidas. Na conversa fiada alumia os parafusos dos verbos e vocábulos, quando não inventa de inventar misturanças que redundam em neologismos, e no palavreio nutriente-cultural sapeca histórias do arco da velha (e do álcool da mais-valia sobrevivencial – ai de ti boemia de Itararé!). O “falar Itararé” é isso: um itararé-ês. Com falas como andar-de-segura-peido, calcanhar-de-frigideira e outras palavras descruzadas, o Itarareense deixa saudades e flores por onde passa, e nesse andarilhar seresteiro (e noiteadeiro) deixa fluir o seu vareio de linguagem própria. E entre mentiranças, claro, barulheiras sonoras, causos hilários, leva e traz o escarcéu líquido do ser de si, empanturrando bares e viagens de entintadas histórias pra boi dormir. O Itarareense deita falatório, e, com releituras nos palavreiros de divisa (com suas peculiares especificidades), como é, está, permanece, seduz e registra. Acontece. Traz Itararé dentro de si, como um signo ficante de enluo e orgulho-raiz. Entre a imaginação fértil e as memórias inventadas, entre o linguajar sério-luso e o lusco-fluxo do tabuleiro das linguagens, depura o arame de gramáticas bonitas, alegres, com paginações retumbantes.
Aliás, Itararé é berço esplêndido, e, falando sério, a bem dizer, a fala do Itarareense é centopéica.-0-
Silas Correa Leite (Primeiro Apontamento Para Um Rascunho Literal)E-mail:
poesilas@terra.com.br
Site:
www.itarare.com.br/silas.htm
Livros: Porta-Lapsos, Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos,além do e-book de sucesso “O Rinoceronte de Clarice”, free no site www.itarare.com.br
(Texto da Série: “Eram os Deuses Itarareenses?”)
Paisagem de Itararé, Rio Verde, Santa Itararé das Artes, Cidade Poema
Bonita pela Própria Natureza, A História do Brasil Passa Por Aqui



Código do Itarareense-Andorinha

01)-Itarareense não tem pais. Faz do Céu de Itararé e da Terra de Itararé, seus pais, sua família, seu lar terreal, e. em Itararé se sente dentro do seu próprio coração
02)-Itarareense não tem casa. Faz da aldeia Itararé o seu ninhal, a sua casa, e a leva na alma, na mente, no coração, como uma honra, um orgulho, uma bandeira
03)-Itarareense não tem poder divino. Faz de seu amor por Itararé, o seu poder divinal, com a graça de Deus
04)-Itarareense não tem pretensão. Faz da própria iluminura pessoal por Itararé, a verdadeira pretensão de amor e paz
05)-Itarareense não tem poderes mágicos. Faz de sua personalidade especial de ser Itarareense, os seus poderes mágicos, encantados pelo prazer de viver com humor e contenteza
06)-Itarareense não tem vida ou morte. Faz das duas umas, tem Itararé, de Itararé veio e para Itararé irá, então, essa é a sua maravilhosa vidamorte, pois sabe que abençoadamente será Itararé um dia
07)-Itarareense não tem visão. Faz da luz e do relâmpago que conecta o céu com a terra, a sua visão telúrica como um vôo para o celeiro cósmico, eterno, infinital
08)-Itarareense não tem audição. Faz da sua sensibilidade espiritual, seus ouvidos, pois Itararé é forfé, é letral, é harmonia, melodia e ritmo
09)-Itarareense não tem língua. Faz da prontidão para o diálogo boêmio, o rebite da dialética sobrevivencial, por intermédio de sua língua chã
10)-Itarareense não tem luz. Faz de Deus a sua defesa, e de sua fé o seu baluarte de salvação em seu rincão natal, o seu paraíso de paz e luz como santuário
11)-Itarareense não tem estratégia. Faz do direito à vida o seu dever de salvar vidas também, pelo direito sagrado de ser feliz como eixo norteador, sendo essa a sua magna estratégia e orquestração
12)-Itarareense não tem projetos. Faz do apelo à imaginação o seu sonho, o que torna sua espiritualidade rica, como um soma para um interativo projeto de construção de uma vida melhor, um mundo melhor, uma peregrina busca evolutiva de todos por todos, todos por um e o uno, razão e fim, é a Estância Boêmia de Itararé
13)-Itarareense não tem princípios. Faz da adaptação a todas as circunstâncias, o seu próprio princípio e conceito existencialista de conviver e viver com solidariedade e muito humor, inclusive etílico
14)-Itarareense não tem tática. Faz da aceitação da escassez e da abundância, uma coisa só, uma tática de semear constantemente, no amor e na dor, servir sempre, prosperar e enriquecer inclusive em conhecimento, conteúdo e ainda em filosofia, até porque, a magnífica grandeza de Deus usa os boêmios para confundir os sábios e os artistas na arte como libertação
15)-Itarareense não tem talentos. Faz de sua hilária imaginação fértil, um talento laborioso de edificar com graceza e prazeirança a suntuosa árvore da vida
16)-Itarareense não tem amigos. Faz de sua mente e de seu coração, sua arca vivencial por um humanismo de resultados, portanto sabe que toda vida na face da terra e do céu, é uma alma amiga
17)-Itarareense não tem inimigos. Os inimigos é que os têm
18)-Itarareense não tem armadura. Faz da benevolência, da caridade e da ética plural-comunitária, a sua armadura, e sabe que viver é lutar, então não foge à luta
19)-Itarareense não tem espírito. Faz do território pluridimensional de todas as vidas, o seu campo de lavanda, onde a perseverança é sua área de sobreviver, sua busca para dar frutos, dar flores, semear poemas, serestas e bebemorações
20)-Por fim, Itarareense não tem paraíso, até porque, Itararé não é um lugar, é uma terra da fantasia, uma terra do nunca (nunca a esqueceremos), Itararé é um lirial celeste aqui mesmo, Itararé é uma idéia, um triunfo, um estado de espírito. No campo de estrelas de Itararé, fazemos nosso céu, nosso abençoado chão, porque o que somos é a grande raiz de onde viemos, e para onde formos levamos quem amamos, então, se do céu de Itararé viemos, ao chão de Itararé voltaremos, esse é o perene Código Vital de todo Itarareense que é andorinha grande, andorinha sem breque, um verdadeiro Taperá!
-E quem for Itarareense que siga.
-0-
Silas Correa Leite (Poetinha) -mail:
poesilas@terra.com.br – Blogues: www.portas-lapsos.zip.net ou www.campodetrigocomcorvos.zip.net - Site: www.itarare.com.br/silas.htm



Arte de Rua de Pinquim Santana, Artista Popular de Itararé, Cidade Poema


Primeiro Quase Estatuto do Itarareense-Andorinha
(Esboço de Rascunho)

O Verdadeiro Itarareense é classificado em:

1)-Inteligente e com iniciativa artístico-cultural, além de um humanista com otimizada visão ético-plural-comunitária, apesar de maroteiro na dialética libertária ortodoxa
2)-Inteligente, mas meio moleirão, paradoxalmente esquerdista e pão duro, sem iniciativa, só que um baita de um pescador mentiroso de mão cheia, boêmio e biriteiro de sol a sol, além de um caipora de fuxiqueiro que às vezes até enche o pacová
3)-Não necessariamente inteligente, cara de pão sovado, e morreria pela sua aldeia querida, mas, é claro, mataria por Itararé e deixaria que os outros é que morressem pelos feudos deles...
4)-Nada inteligente, maleixo mesmo, tem calcanhar de frigideira, até porque, a bem dizer, Itarareense burro nasce morto, se é que, pelo menos em Itararé, quem nasce morto nasce
Porque
1)-Serve para comandar com estilo e grandeza, adora fazer churrascos e fazer artes, tem alma de música, é espiritualmente rico, fanático por Itararé, faz parte da nata pensadora da fauna notívaga por excelência que conhece a delícia de ser o que é, sabe que do jazz nasce a luz e é gente mais maior de grande
2)-Serve para fazer serestas, aprontar passeatas contra qualquer coisa só pra ver a fuzarca, adora biscatear as flores-fêmas pedaçudas, serve também para tocar fogo na canjica das baladas rueiras, toca bem qualquer instrumento, adora pendurar fiados e fazer gandaias e forfés homéricos, mesmo com ressaca das brabas
3)-Não são muito antenados não, com aquele andar-de-segura-peido adoram inventar o inexistente, bolam causos hilários e acontecências líricas, e lutam para defender as trincheiras da legalidade de Itararé, seu doce rincão fronteirano e fronteiriço
4)-Não são assim inteligente o suficiente para saberem que estão no átomo sem cachorro, até são mesmo arigós ou coiós, e, quando, finalmente sacam isso, fazem um tropé e tentam se enforcar com uma faca
Assim
1)-Itarareense deveras inteligente é de estudar muito, fica culto e harmoniza as vivências no entorno, sabe beber socialmente e hão de cantar Itararé em verso e prosa a vida inteirinha e até muito além do fim...talvez até, quem sabe, numa Itararé-Celeste. Já pensou?
2)-Inteligentes para saberem que do pó vieram e à cerveja voltarão, enternurando com suas contentezas e prazeiranças as sagradas noites boêmias de Itararé, berço esplêndido
3)-Não são inteligentes para saírem de Itararé e irem labutar (trabalhar, estudar conquistar) fora, mas são instintalmente hábeis para saberem que longe de Itararé o bicho pega, o circo tá armado, tudo é uma enorme babel, entre saudades pegajentas, idéias viajosas, noiteadeiros com carrancas, brucutus estrupícios e recordações nativas entre tristices abismais e solos de silêncio
4)-Não sabem pensar sozinho ou a seco, o tico e o teco não funcionam juntos, casam mal, amam mal, acreditam em vida inteligente fora da terra (achando que na terra não existe mesmo, só em Itararé) e quando ocasionalmente (ou na marra) vão para distante de Itararé, sabem o lugar de ser o que é, e choram longe do seu rincão natal “de mil recantos amados” (mas não de laércios amados...) e quando querem visitar a própria alma, voltam para Itararé, são estrelas peregrinas em exílio involuntário que sabem que, na casa do pai há muitas geladas
Por Fim
1)-Itarareense quando morre vira Andorinha Encantada; quando nasce, estréia no chão de estrelas de Itararé que é um pedaço do paraíso telúrico, pois ama Itararé com Amor maiúsculo, com muito orgulho, honra e glória
2)-Itararé é bonita pela própria natureza, e todo Itarareense-Andorinha sabe que Deus
fez o mundo em cinco dias, no sexto dia orgulhoso do que criara, fez um resumão-modelo numa bela marquete que virou a geográfica cidade de Itararé, só no sábado santo puxou um ronco, depois foi no Bar Fecha-Nunca do Miro Vaca sapear as andorinhas sem breque e ouvir o Sabiá Aristeu cantar o Hino ao Itarareense em si-las-sol-sem-dó-em-si...
3)-Itarareense é levado da breca, muito enluado o conterrâneo sempre leva Itararé no peito; orgulhoso leva o rio Itararé na alma, e, o espírito a mil, sabe que a bandeira de Itararé é na verdade o seu coração valente, apaixonado pelo seu nicho, seu ninhal, seu encantário-matriz
4)-Itarareense quando nasce/Se esparrama pelo chão/Se todo Itarareense-Andorinha brilhasse/O Mundo inteiro seria uma Constelação!

Itararé, Isso é que é!
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Fim, FUI – Poetinha Silas Correa Leite
Saudades de Itararé, Abril, Sampa, Chuvas, buraco do Metrô (herança maldita do Daslu Alckmin Pinóquio de Chuchu). Saravá Caiporas. Fundo Sonoro The Malas do Ritmo cantando a valsa Saudade de Itararé, do Paschoal Melillo (In memoriam)

(Primeiro Rascunho, esboço, Saudades do Maé da Pêdra, da Vica, do Jesus Casado e do Maninho Ferreira atrás da Banda “Furiosa” Lira Itarareense)

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Site: www.itarare.com.br/silas.htm
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